Tá na hora do encontro, aperta no peito, dói a barriga que ronca ainda pela comida mal engolida do almoço pra tapear. O dia passou lento, a tarde foi calorenta, a noitinha chegou e que conversa fiada. O telefone chama sem parar e ninguém em casa pra dar notícia, para cumprir o prometido, pra sufocar os roncos de um ventre ávido de desejo. Vem a preocupação e a raiva. Não foi trocado. Não foi prometido. Foi por vontade própria empurrado pela força de uma rosa, guiado por um sonho desconhecido, nunca sonhado. Ou não. Talvez ele tenha mesmo se encontrado de uma maneira tal que nunca havia se percebido ou permitido.
A liberdade faz estrondar a barriga, faz borboletas saírem voando de lá, dizem alguns. E o que faz a preocupação se não o mesmo? A liberdade podada, a ocupação da mente com uma situação da qual não se tem controle. Refém.
O telefone toca sem resposta e continua tocando retorcendo a agonia, fortalecendo a loucura. O dia não é propício, a hora tampouco. Sem sono, com medo e fome, nem vela, nem choro, convive com o tempo, doma a impaciência, aguarda as notícias do front.
Em obras!
Há 10 anos
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