domingo, 1 de julho de 2007

Charuto, Batom e Calisson

Noutro dia tava num café, o sol vinha do outro lado da rua direto pro meu rosto, o mês era fevereiro e o hemisfério era o norte. Frescor perfeito, frio com sol, meu predileto como eu já disse a alguém que nem se lembra mais. Tudo o que eu conseguia era ficar ali parada, tentar escrever e vez ou outra pedir um espresso. Daí surge a personagem, a simpática "Senhoura ao lado", me puxa pra conversa e eu com aquela preguiça de me-deixa-na-cama-que-são-só-mais-cinco-minutinhos tento escutar com a maior paciência do mundo. Diz ela que não consegue entender como eu e a maioria dos canhotos do mundo consegue escrever assim todos tortos, enviesando ora o papel, ora a caneta, o punho e as letras. sorriso. sorriso. virei pro meu lado. Engano meu, continuou o papo. Penso eu, pronto, já ganhei meu dia francês: café, cigar e papo furado. Sim, senhor seu cigar, um baita charutão fumava a respeitável "Cenoura ao lado" e completou dizendo que na França muitas mulheres fazem que nem ela. Entre baforadas, bonjour para cada 6 entre 10 pessoas que passavam pela calçada e lero leros, Madame au Cigar me ofereceu um Calisson, um docinho típico da região que eu por acaso tava louca pra provar. Não gostei. Pedi mais um café, mas comecei a ficar inquieta, alguma coisa me dizia que eu deveria ir embora, provavelmente foi a pergunta da madame, - Você não tem curso hoje? Soou como uma mãe xereta mandando indiretamente o filho fazer algo mais útil na vida do que ficar olhando a moda passar. O sol também já dava sinais de querer passar pro outro lado, já não estava tão quente quanto antes. paro. percebo. Mesmo os momentos mais estáveis e perfeitos passam. Passam pra mim e passam pra "senhora ao lado" que por uma última vez me interrompeu a escrita para me perguntar as horas.





Em tempo - adoro o jeito dos franceses de dizer bonjour pra tudo assim, no meio da tarde, no fim do dia. Extremamente delicado.

Kebab at the Post Office, Don´t Stop 'till You Get Enough

A música é boa, principalmente depois de "encore une pression, s'il vous plaît", daí você começa a cantar que nem o Maicou. Mas já era a terceira vez que tocava e o bar estava daqueles a cotoveladas. Da gente tinha: a Jane, inglesa, publicitária, poço de delicadeza, charme de uma francesa, cool como uma verdadeira britânica; Pablo, o legítimo galante, lindo mexicano, um blefe, mas uma ótima companhia; Santiago, não o de Compostela, o de Guadalajara, compratriota de Pablo, fumante, papo sério, cabeça boa, católico demais para os seus mirrados 19 anos e tinha eu. A fome bateu, alguém sugeriu e o snack era logo ali. Chamava-se TopKapi -topkãpã, com o "i" sem pingo como ensinou mais tarde a búlgara que falava turco- e era pra mim o melhor kebab da cidade apesar das controversas más línguas. Saiu todo mundo cantarolando, "Kebaaaab at the post office, don't stop 'till you get enough". O post office surgiu da bebedeira e ficou para a posteridade, como símbolo de um quarteto infantil, se divertindo pelas ruelas da provence, inclusive o videozinho, mas esse eu não vou mostrar, de deixa, aqui vai uma receita de kebab que ainda não provei. Bom apetite!