Noutro dia tava num café, o sol vinha do outro lado da rua direto pro meu rosto, o mês era fevereiro e o hemisfério era o norte. Frescor perfeito, frio com sol, meu predileto como eu já disse a alguém que nem se lembra mais. Tudo o que eu conseguia era ficar ali parada, tentar escrever e vez ou outra pedir um espresso. Daí surge a personagem, a simpática "Senhoura ao lado", me puxa pra conversa e eu com aquela preguiça de me-deixa-na-cama-que-são-só-mais-cinco-minutinhos tento escutar com a maior paciência do mundo. Diz ela que não consegue entender como eu e a maioria dos canhotos do mundo consegue escrever assim todos tortos, enviesando ora o papel, ora a caneta, o punho e as letras. sorriso. sorriso. virei pro meu lado. Engano meu, continuou o papo. Penso eu, pronto, já ganhei meu dia francês: café, cigar e papo furado. Sim, senhor seu cigar, um baita charutão fumava a respeitável "Cenoura ao lado" e completou dizendo que na França muitas mulheres fazem que nem ela. Entre baforadas, bonjour para cada 6 entre 10 pessoas que passavam pela calçada e lero leros, Madame au Cigar me ofereceu um Calisson, um docinho típico da região que eu por acaso tava louca pra provar. Não gostei. Pedi mais um café, mas comecei a ficar inquieta, alguma coisa me dizia que eu deveria ir embora, provavelmente foi a pergunta da madame, - Você não tem curso hoje? Soou como uma mãe xereta mandando indiretamente o filho fazer algo mais útil na vida do que ficar olhando a moda passar. O sol também já dava sinais de querer passar pro outro lado, já não estava tão quente quanto antes. paro. percebo. Mesmo os momentos mais estáveis e perfeitos passam. Passam pra mim e passam pra "senhora ao lado" que por uma última vez me interrompeu a escrita para me perguntar as horas.
Em tempo - adoro o jeito dos franceses de dizer bonjour pra tudo assim, no meio da tarde, no fim do dia. Extremamente delicado.
Em obras!
Há 10 anos
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