domingo, 28 de outubro de 2007

Terra do Nunca

Conheço dois meninos perdidos assim do estilo deixa-a-vida-me-levar que eu levo a sério. De seus desencontros fazem seus, os maiores acertos. Temem, como todo mundo, estar em algum caminho sem volta, mas caminham sem-a-vergonha, pois sabem que o caminho e o caminhar são um só. Não se colocam a margem de desejos e anseios, sonham e sofrem como tu e mim tupiniquim, mas não cultuam pensamentos como estilo de vida. Preferem assim, de uma forma bacana ir baseando a vida naquilo que há mais de prazeroso. Flanam seus dias e meses e anos sem resmungues, enrolando vez ou outra, deixando pra depois e construindo um agora... completamente feliz, não, isso não diria, mas também quem poderia? Assim fazem um agora simpático e rico, com certo charme sujo e acolhedor. A gente se esbarra de vez em sempre se prometendo um futuro promissor, ser harmonioso e responsável em uma cidade supimpa, permeada de atrações e trilha sonora. E desses encontros eu vou desenhando um mais pra frente, daqui uns anos, quem sabe, perto deles, um bistrot a céu aberto no meio da avenida, onde chove por todo em volta e na gente o sol pigmenta e bronzeia. Martini bianco com três azeitonas nos copos e um brinde cor de anil que exalta épocas, boas gargalhadas, poucas fossas e principalmente o companheirismo de uma longa amizade

Um comentário:

Vitrine, com cafeína disse...

hum...passam seus dias e meses e anos COM ALGUNS, mas POUCOS resmungues, eu diria...