segunda-feira, 25 de junho de 2007

Fora de Estação

O Rio. Em janeiro, em fevereiro fervilham corpos, samba e poesia. Ali na praia do Leblon eu desço com uma roupa que não é minha e um biquini que já não é mais meu. Desço, ando e respiro com uma atitude blasé e logo me sinto abrigada. O sol, o livro e aquele pareó amarelo.
-Me vê um mate sujo! É, meio a meio! O que se passa na praia já virou mito, mas continua alí pra todo mundo ver.
O sábado é de carnaval, o calçadão é dos que flanam e dos que malham, dos que visitam e dos que moram, dos que disso vivem e dos que aqui morreram, dos ícones e dos ilustres, sim aqueles ilustres desconhecidos. Eu lá em meio a todos os ilustres sou mais uma e como é boa a sensação.
Da barraca de trás vinha o som que batia o ritmo da época da boemia, das marchinhas...alalaô, mas que calor. O Rio tem dessas coisas. Faz a gente se sentir muito mais gente, não dá só pra fazer figuração, tem que participar. Tem a água de côco pra beber, biscoito globo pra esfarelar, mar imundo pra se molhar e na areia o pé pra escaldar. E ainda tão tentando "Côted'azurizar" Copacabana com quiosques high-tech, Nestlé shop e tudo mais. Não dá cara, não dá pra tirar o "point do Bira", "a barraca do seu Jorge" e o "sandáu da Margarete", não dá.

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